Faz 15 anos que o
Congresso Nacional aprovou a emenda à Constituição Federal que
permite a reeleição de prefeitos e governadores para mais um
mandato seguido, no Brasil. Essa medida valeu para os chefes de
Executivo que já estavam no poder em 1997, como o então presidente
Fernando Henrique Cardoso – o principal personagem que se pretendia
beneficiar com a ideia.
Essa década e meia é
tempo suficiente para mostrar que, aliada ao caciquismo partidário e
à falta de ousadia de filiados, na Baixada Santista e no País
inteiro, algumas cidades da região têm sofrido prejuízos a
qualquer tentativa de renovação política.
Em 1996, por exemplo,
concorriam à Prefeitura de Santos nomes como Beto Mansur e Telma de
Souza; em Praia Grande, o prefeito era Alberto Mourão; em Bertioga,
José Mauro Orlandini; em Cubatão, um candidato era Nei Serra; em
São Vicente, um dos que concorriam era Márcio França.
Agora em 2012, esses
mesmos políticos tentam se tornar prefeitos novamente, com respaldo
de seus partidos. No caso de Márcio França, concorrerá à
Prefeitura seu filho, o vereador Caio França, um menino de 6 anos
quando o pai foi eleito prefeito pela primeira vez.
Apesar da menor
influência política de pai para filho neste caso (sobretudo, por
ter falecido), o ex-prefeito santista e ex-vereador Paulo Gomes
Barbosa deixou como herdeiro político Paulo Alexandre Barbosa, agora
pré-candidato ao Palácio José Bonifácio.
Porém, Praia Grande é
o maior exemplo de aglutinação em torno de interesses de um
político. Como fez em 2000, Alberto Mourão está disposto a deixar
a Câmara Federal (para a qual fora eleito em 2010) para concorrer à
Prefeitura, 'impedindo' a reeleição do prefeito em exercício.
Há 12 anos, Ricardo
Yamauti não pôde tentar o segundo mandato, em favor de Mourão;
agora, o prefeito Roberto Francisco dos Santos 'cederá' sua vez ao
padrinho político para que ele busque chefiar o Executivo pela
quarta vez. Voltará à condição de assessor de Mourão, como foi
durante 21 anos, até ocupar a cadeira principal do Palácio São
Francisco de Assis.
São Francisco, aliás,
é padroeiro da Ecologia. E o filósofo grego Aristóteles dizia que
“o Homem é um animal político”. Que o santo interceda em nosso
favor diante da fauna que se impõe.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Pesquisas eleitorais - Santos (2)
Na postagem anterior,
sobre as pesquisas eleitorais divulgadas no fim de semana para a
Prefeitura de Santos, comentou-se o nível de conhecimento dos
pré-candidatos perante o eleitorado. Em resumo, Telma de Souza (PT)
e Beto Mansur (PP), ambos ex-prefeitos, são os mais conhecidos dos
entrevistados – conforme respostas a essa questão feita pelo
Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT).
Mas outro item a ser levado em conta, mais do que a posição de cada pré-candidato nos levantamentos do IPAT e do Instituto Toledo & Associados, consiste nisto:
O nível de rejeição dos pré-candidatos – Terceiro colocado no levantamento, Mansur não receberia votos, de jeito algum, de praticamente um terço dos entrevistados pelo IPAT (32,8%). O voto em Telma é descartado por 24% dos consultados. Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), tecnicamente empatado com Telma (atrás dela no IPAT e à frente no Toledo & Associados), tem índice de rejeição mínimo: 3,3%. Supera, apenas, Fábio Alexandre Nunes, o Professor Fabião (PSB, 2,9%) e está em situação mais confortável do que Sérgio Aquino (PMDB, 6,9%), Eneida Koury (PSOL, 6%) e José Antonio Marques Almeida, o Jama (PRTB, 5,8%).
Apesar de a ordem de rejeição dos candidatos nas duas sondagens ser quase a mesma, os percentuais variam de forma significativa nas pesquisas IPAT e Toledo & Associados. Nesta última, Beto Mansur é o mais rejeitado, com 25%; Telma tem 18,9%; Eneida, 2,9%; Aquino, 2,5%; Jama e Barbosa, 2% cada; Fabião, 1,2%. A maior diferença está naqueles que não rejeitam nenhum nome ou não sabem em quem jamais votariam: 30,5% na consulta do IPAT e 45,6% na da Toledo.
O peso do atual prefeito na disputa – A questão foi feita somente pelo IPAT: “O prefeito João Paulo Papa não pode ser candidato a reeleição. Em relação ao candidato apoiado por ele...”, 17,9% disseram votar nesse nome “com certeza”; 48,6% poderiam votar, e 25,7% (um em cada quatro eleitores) não votaria “de jeito nenhum”; há outros 7,8% indecisos. Se, numa hipótese, metade dos que “poderiam votar” no indicado por Papa o fizesse e a outra metade não, o escolhido teria uma ligeira desvantagem na corrida eleitoral.
Mas quem é o abraçado por Papa? Quem acompanha o noticiário local sabe, desde o ano passado, que Sérgio Aquino contará com apoio do prefeito. Mas, nas respostas dadas ao IPAT, tem-se a sensação de que tais informações ou não chegaram à maioria do eleitorado ou não o convenceram. Entre as pessoas consultadas, 34,4% acham que o preferido de Papa é Paulo Alexandre Barbosa, e 25,3%, Beto Mansur. Só 7,5% indicaram Aquino, e 4,3% apontaram “outro nome”.
Entretanto, 28,5% disseram não saber quem Papa está apoiando. Em suma, o prefeito e o estafe da campanha eleitoral peemedebista precisam mostrar a 93,5% dos eleitores ouvidos pelo IPAT que Aquino é o favorito do atual prefeito – e desfazer duas impressões, que variam conforme o eleitor: a de que o escolhido fosse Barbosa, dada a proximidade de Papa com o Governo Estadual (e com o próprio pré-candidato nos últimos anos), ou Mansur, de quem Papa foi vice e escolhido para se candidatar, em seu grupo político, às eleições de 2004.
Conclua você mesmo – Os números me levam a crer no seguinte (e não exponho, aqui, nenhuma intenção de voto): Mansur e Telma têm eleitorado cativo, mas aqueles que os rejeitam também são firmes; Barbosa é relativamente bem conhecido, sua rejeição perante os eleitores é muito baixa; Aquino, um ilustre desconhecido da maioria, também não enfrenta alta resistência (apesar de ser superior à repulsa provocada pelo pré-candidato tucano).
Fabião, Jama e Eneida, que não tem eleitores cativos, não irão dispor de máquinas oficiais governistas em níveis municipal, estadual e federal e nem terão como investir significativamente em suas campanhas, só venceriam por milagre.
Isso não acontecerá, mas, se fossem mantidas durante a campanha eleitoral as intenções de voto e as impressões que o eleitorado tem de cada pré-concorrente, Telma, Barbosa e Aquino (não necessariamente nesta ordem) começarão com vantagem a corrida pelo Paço Municipal.
Sem apoio do prefeito nem do Estado e carregando apenas seu prestígio pessoal – que tem forte contraponto daqueles que o rejeitam –, Mansur teria, neste momento, mais força como cabo eleitoral de algum dos virtuais candidatos do que tentando voltar à Prefeitura. Só que as pesquisas de opinião não conseguem medir os desejos e vaidades dos prefeituráveis.
Veja as pesquisas eleitorais:
http://videos.grupoatribuna.com.br/atribuna/2012/05/relatorio_santos_maio_2012.doc
http://www.jornaldaorla.com.br/materias/9637-paulo-alexandre-e-telma-lideram-na-primeira-pesquisa-de-2012/
Mas outro item a ser levado em conta, mais do que a posição de cada pré-candidato nos levantamentos do IPAT e do Instituto Toledo & Associados, consiste nisto:
O nível de rejeição dos pré-candidatos – Terceiro colocado no levantamento, Mansur não receberia votos, de jeito algum, de praticamente um terço dos entrevistados pelo IPAT (32,8%). O voto em Telma é descartado por 24% dos consultados. Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), tecnicamente empatado com Telma (atrás dela no IPAT e à frente no Toledo & Associados), tem índice de rejeição mínimo: 3,3%. Supera, apenas, Fábio Alexandre Nunes, o Professor Fabião (PSB, 2,9%) e está em situação mais confortável do que Sérgio Aquino (PMDB, 6,9%), Eneida Koury (PSOL, 6%) e José Antonio Marques Almeida, o Jama (PRTB, 5,8%).
Apesar de a ordem de rejeição dos candidatos nas duas sondagens ser quase a mesma, os percentuais variam de forma significativa nas pesquisas IPAT e Toledo & Associados. Nesta última, Beto Mansur é o mais rejeitado, com 25%; Telma tem 18,9%; Eneida, 2,9%; Aquino, 2,5%; Jama e Barbosa, 2% cada; Fabião, 1,2%. A maior diferença está naqueles que não rejeitam nenhum nome ou não sabem em quem jamais votariam: 30,5% na consulta do IPAT e 45,6% na da Toledo.
O peso do atual prefeito na disputa – A questão foi feita somente pelo IPAT: “O prefeito João Paulo Papa não pode ser candidato a reeleição. Em relação ao candidato apoiado por ele...”, 17,9% disseram votar nesse nome “com certeza”; 48,6% poderiam votar, e 25,7% (um em cada quatro eleitores) não votaria “de jeito nenhum”; há outros 7,8% indecisos. Se, numa hipótese, metade dos que “poderiam votar” no indicado por Papa o fizesse e a outra metade não, o escolhido teria uma ligeira desvantagem na corrida eleitoral.
Mas quem é o abraçado por Papa? Quem acompanha o noticiário local sabe, desde o ano passado, que Sérgio Aquino contará com apoio do prefeito. Mas, nas respostas dadas ao IPAT, tem-se a sensação de que tais informações ou não chegaram à maioria do eleitorado ou não o convenceram. Entre as pessoas consultadas, 34,4% acham que o preferido de Papa é Paulo Alexandre Barbosa, e 25,3%, Beto Mansur. Só 7,5% indicaram Aquino, e 4,3% apontaram “outro nome”.
Entretanto, 28,5% disseram não saber quem Papa está apoiando. Em suma, o prefeito e o estafe da campanha eleitoral peemedebista precisam mostrar a 93,5% dos eleitores ouvidos pelo IPAT que Aquino é o favorito do atual prefeito – e desfazer duas impressões, que variam conforme o eleitor: a de que o escolhido fosse Barbosa, dada a proximidade de Papa com o Governo Estadual (e com o próprio pré-candidato nos últimos anos), ou Mansur, de quem Papa foi vice e escolhido para se candidatar, em seu grupo político, às eleições de 2004.
Conclua você mesmo – Os números me levam a crer no seguinte (e não exponho, aqui, nenhuma intenção de voto): Mansur e Telma têm eleitorado cativo, mas aqueles que os rejeitam também são firmes; Barbosa é relativamente bem conhecido, sua rejeição perante os eleitores é muito baixa; Aquino, um ilustre desconhecido da maioria, também não enfrenta alta resistência (apesar de ser superior à repulsa provocada pelo pré-candidato tucano).
Fabião, Jama e Eneida, que não tem eleitores cativos, não irão dispor de máquinas oficiais governistas em níveis municipal, estadual e federal e nem terão como investir significativamente em suas campanhas, só venceriam por milagre.
Isso não acontecerá, mas, se fossem mantidas durante a campanha eleitoral as intenções de voto e as impressões que o eleitorado tem de cada pré-concorrente, Telma, Barbosa e Aquino (não necessariamente nesta ordem) começarão com vantagem a corrida pelo Paço Municipal.
Sem apoio do prefeito nem do Estado e carregando apenas seu prestígio pessoal – que tem forte contraponto daqueles que o rejeitam –, Mansur teria, neste momento, mais força como cabo eleitoral de algum dos virtuais candidatos do que tentando voltar à Prefeitura. Só que as pesquisas de opinião não conseguem medir os desejos e vaidades dos prefeituráveis.
Veja as pesquisas eleitorais:
http://videos.grupoatribuna.com.br/atribuna/2012/05/relatorio_santos_maio_2012.doc
http://www.jornaldaorla.com.br/materias/9637-paulo-alexandre-e-telma-lideram-na-primeira-pesquisa-de-2012/
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Pesquisas eleitorais - Santos (1)
Fazer pesquisas eleitorais a quatro meses do dia do pleito e antes que as campanhas oficiais para prefeito comecem adianta alguma coisa? Afinal, entre seis ou sete pessoas em cada dez não fazem ideia de quem escolherão em 7 de outubro.
Para o eleitor, essas sondagens talvez não tenham utilidade. Mas os pré-candidatos à Prefeitura e seus assessores talvez estejam se debruçando nos números apresentados, no fim de semana, pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (contratado pelo jornal 'A Tribuna') e pelo Instituto Toledo & Associados (por encomenda do 'Jornal da Orla').
Nesta altura de um campeonato que nem começou, interessa menos o empate técnico entre Telma de Souza (PT) e Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) nos dois levantamentos, consideradas as margens de erro – Telma ganha no primeiro, e Barbosa, no segundo –, do que os aspectos a seguir:
O quanto os pré-candidatos são conhecidos – O IPAT mostra que 97% dos entrevistados já ouviram falar em Beto Mansur (PP); 96,4%, em Telma; 85,5%, em Barbosa; 50,1% em Fábio Alexandre Nunes, o Professor Fabião (PSB); e 22,5%, em Sérgio Aquino (PMDB), pré-candidato do prefeito João Paulo Papa (PMDB) à sua sucessão. Os dois primeiros já foram prefeitos de Santos: Telma, de 1989 a 1992, e Mansur, de 1997 a 2004.
Mas o IPAT vai além. Pergunta àqueles que já ouviram falar nos pré-candidatos se os conhecem bem, mais ou menos ou se não os conhecem. E, pela ordem de intenções totais de voto na pesquisa desse instituto, se constata que...
… Telma é bem conhecida por 78,2% dos que disseram ter ouvido falar nela. Entre esses que a conhecem bem, ela lidera as intenções de voto, com 34,8% do total;
… 58,5% dizem conhecer bem Paulo Alexandre Barbosa. Ele é o líder em intenções de voto entre esses eleitores, com 37,7% das indicações;
... dos que já ouviram falar em Beto Mansur, 67% o conhecem bem. Nessa faixa do eleitorado, ele é apenas o terceiro colocado em intenções de voto, com 21,4%, atrás dos tecnicamente empatados Telma (28,8%) e Barbosa (27,5%);
… Fabião é bem conhecido por 35,7% dos eleitores que já ouviram falar nele, mas, entre esses entrevistados, aparece somente em quarto lugar nas preferências (12,1%), atrás de Barbosa, Telma e Mansur;
… apenas 22,5% ouviram falar no pré-candidato do governo, Sérgio Aquino. Mas, entre os que disseram conhecê-lo bem, ele recebe 17,6% das indicações – atrás de Telma e Barbosa, mas à frente de Beto Mansur.
(Amanhã, as implicações do índice de rejeição a cada um dos cinco primeiros colocados nos levantamentos do IPAT e do Toledo & Associados.)
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Política x técnica
O prefeito de Mongaguá, Paulo Wiazowski Filho (DEM), anunciou nesta terça-feira (22/5) seu afastamento, até outubro, da presidência do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) -- órgão que reúne os nove chefes de Executivo da região e, em igual número, representantes do Governo Estadual. Motivo: em breve, Paulinho lutará pela própria reeleição.
Logo mais, deixará o posto, ao menos também temporariamente, o diretor-executivo da Agência Metropolitana (Agem), Marcos Aurélio Adegas. Coordenará a campanha do cunhado, o deputado estadual e atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), à Prefeitura de Santos.
É importante que se afastem. Nada melhor do que reconhecer suas limitações e admitir não poder tocar duas coisas importantes ao mesmo tempo. A política partidária é, sim, importante. Lutou-se por décadas para a plena retomada do regime democrático, no País. E, por mais viciados que sejam os esquemas políticos, antes esses do que nenhum do qual a população participe.
Porém, passou da hora de discutir algo igualmente relevante: o caráter político de órgãos aparentemente técnicos, onde se promovem debates e desenvolvem estudos. Não tanto o Condesb, um órgão político de fato, pois é sempre presidido por um prefeito local; mas a Agem, considerada o 'braço' do conselho na execução de projetos metropolitanos, não pode ficar à mercê de idas e vindas políticas.
Talvez Paulinho nem sequer devesse ter assumido o Condesb. Ficou pouco mais de três meses no posto, e já se sabia que concorreria à reeleição antes mesmo que tomasse posse do primeiro mandato. E Adegas comanda a Agem por indicação política, como foi com todos os antecessores. A Agência precisa de um técnico com mandato fixo e que não esteja sujeito a ingerências políticas a cada dois anos.
Em tempo: o novo presidente do Condesb é o superintendente da Sabesp na região, João César Queiroz Prado.
Logo mais, deixará o posto, ao menos também temporariamente, o diretor-executivo da Agência Metropolitana (Agem), Marcos Aurélio Adegas. Coordenará a campanha do cunhado, o deputado estadual e atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), à Prefeitura de Santos.
É importante que se afastem. Nada melhor do que reconhecer suas limitações e admitir não poder tocar duas coisas importantes ao mesmo tempo. A política partidária é, sim, importante. Lutou-se por décadas para a plena retomada do regime democrático, no País. E, por mais viciados que sejam os esquemas políticos, antes esses do que nenhum do qual a população participe.
Porém, passou da hora de discutir algo igualmente relevante: o caráter político de órgãos aparentemente técnicos, onde se promovem debates e desenvolvem estudos. Não tanto o Condesb, um órgão político de fato, pois é sempre presidido por um prefeito local; mas a Agem, considerada o 'braço' do conselho na execução de projetos metropolitanos, não pode ficar à mercê de idas e vindas políticas.
Talvez Paulinho nem sequer devesse ter assumido o Condesb. Ficou pouco mais de três meses no posto, e já se sabia que concorreria à reeleição antes mesmo que tomasse posse do primeiro mandato. E Adegas comanda a Agem por indicação política, como foi com todos os antecessores. A Agência precisa de um técnico com mandato fixo e que não esteja sujeito a ingerências políticas a cada dois anos.
Em tempo: o novo presidente do Condesb é o superintendente da Sabesp na região, João César Queiroz Prado.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Livro: novidades
Notícias do livro que escrevi sobre o ex-prefeito de Santos Esmeraldo Tarquínio: estou autorizado a divulgar que será publicado pela Editora Universitária Leopoldianum, vinculada à Universidade Católica de Santos (UniSantos).O pessoal da editora me informou que o contrato a ser firmado comigo está sendo redigido. Mas, de antemão, o texto e as fotos já foram enviados para revisão e editoração (montagem) -- um bom sinal de ânimo com o projeto.
Meu plano é lançar o livro até novembro, quando se completam os 30 anos da morte de Tarquínio. Pode, porém, acontecer antes. Por enquanto, eu mesmo espero pelas próximas novidades.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Na média, eles saem ganhando
Menos gente está
comprando apartamentos novos em Santos, conclui o Sindicato da
Habitação de São Paulo (Secovi-SP) em levantamento apresentado
nesta quinta-feira (3/5) no Fórum da Indústria da Construção de
Santos e Região (Ficon), em Santos.
Claro: os terrenos estão ficando escassos, torna-se mais difícil construir e a oferta de apartamentos está mais baixa. E, pela tal lei da oferta e da procura, quanto mais raro algo é, mais caro fica. Mas a análise não se resume a isso.
O consultor de empresas Stephen Kanitz, articulista da revista 'Veja' e que proferiu palestra aos empresários inscritos no Ficon, rechaçou o termo “ganância” ao se referir aos preços cobrados por profissionais liberais (e mesmo por construtores) ao estabelecer o valor de venda de seus produtos.
De forma sintética, Kanitz vê nos preços do mercado uma adaptação às circunstâncias econômicas. Ao se referir à bolha do setor imobiliário nos Estados Unidos, culpou o governo pelo “populismo” de subsidiar a aquisição da casa própria, estimulando bancos a financiar imóveis a juros baixos.
Porém, bancos cobravam prestações iniciais equivalentes a quase 80% do salário do mutuário, que não precisava comprovar renda. As parcelas caíam com o tempo, mas não de forma suficiente para evitar que, do dia para a noite, clientes se endividassem. E bancos quebrassem com a inadimplência.
No Brasil, é diferente. Há sistemas de prestações fixas durante todo o período do empréstimo e, em geral, limitadas a 30% da renda familiar – mesmo se sabendo que, num financiamento de 15 anos, o banco recupera tudo em cinco, pois cobra os juros no começo; no resto do tempo, só tem lucro.
De volta aos prédios de Santos (e, humildemente, me contrapondo a Kanitz, a quem conheci no Ficon e que costuma acertar seus diagnósticos e previsões), não há como duvidar de um quê de “ganância” do empresariado local diante das mudanças no comportamento do comprador.
Diz o levantamento do Secovi que, apenas entre agosto de 2011 e abril deste ano – isto é, em oito meses –, as vendas de apartamentos com um quarto em Santos ultrapassaram as dos de quatro dormitórios. O consumidor local, portanto, começa a procurar imóveis menores e menos caros.
É o que cabe no bolso. Só que, ao perceber tal mudança dos clientes e, assim, passar a erguer edifícios com menos dormitórios, o construtor não dá ponto sem nó. Faz mais apartamentos em um terreno de mesma metragem e, proporcionalmente, cobra mais pelos imóveis menores.
A tabela a seguir mostra os preços do metro quadrado apurados em Santos no mês passado. Na média, não variam muito, mas, no pico, mostram disparidade: o m² de um imóvel de quatro dormitórios sai por até R$ 10.446; de um quarto, chega a R$ 15.736.
Então, levando em conta esses valores, vamos calcular o que isso representa:
Numa região 'nobre', um construtor poderia fazer um apartamento de 200 m² e quatro quartos que custaria até R$ 2,089 milhões. Mas vê que o mercado quer imóveis menores. Assim, no mesmo espaço, faz quatro apartamentos de um quarto e 50 m². Cada um sairia por, no máximo, R$ 786.800,00. Se vender os quatro, ganhará R$ 3,147 milhões. Ou seja, vai faturar 50% a mais com imóveis pequenos do que se construísse um maior que ocupa o mesmo espaço dos menores.
Num prédio de 20 andares, os apartamentos de quatro dormitórios (um por pavimento) renderiam até R$ 41,7 milhões; se fossem quatro unidades por andar com um quarto, o volume geral de vendas atingiria R$ 62,9 milhões. A diferença equivale a dez imóveis de quatro quartos.
O empresariado sabe muito bem onde pisa. Tem tudo para acertar. Bom para ele. Porque, para a população santista, com salário médio aproximado de R$ 2 mil, talvez ainda restem os imóveis usados.
Podem ser um excelente negócio. Há uns seis meses, vi um apartamento reformado, de três quartos, com duas suítes, por R$ 250 mil. Na Ponta da Praia. O prédio é de 1966, mas está tudo em ótimo estado. Dividindo-se seu preço por seu tamanho, cada m² sairia por R$ 3,3 mil. Fosse um imóvel novo nessa região, pelo preço máximo apurado pelo Secovi-SP, talvez custasse até R$ 600 mil.
Claro: os terrenos estão ficando escassos, torna-se mais difícil construir e a oferta de apartamentos está mais baixa. E, pela tal lei da oferta e da procura, quanto mais raro algo é, mais caro fica. Mas a análise não se resume a isso.
O consultor de empresas Stephen Kanitz, articulista da revista 'Veja' e que proferiu palestra aos empresários inscritos no Ficon, rechaçou o termo “ganância” ao se referir aos preços cobrados por profissionais liberais (e mesmo por construtores) ao estabelecer o valor de venda de seus produtos.
De forma sintética, Kanitz vê nos preços do mercado uma adaptação às circunstâncias econômicas. Ao se referir à bolha do setor imobiliário nos Estados Unidos, culpou o governo pelo “populismo” de subsidiar a aquisição da casa própria, estimulando bancos a financiar imóveis a juros baixos.
Porém, bancos cobravam prestações iniciais equivalentes a quase 80% do salário do mutuário, que não precisava comprovar renda. As parcelas caíam com o tempo, mas não de forma suficiente para evitar que, do dia para a noite, clientes se endividassem. E bancos quebrassem com a inadimplência.
No Brasil, é diferente. Há sistemas de prestações fixas durante todo o período do empréstimo e, em geral, limitadas a 30% da renda familiar – mesmo se sabendo que, num financiamento de 15 anos, o banco recupera tudo em cinco, pois cobra os juros no começo; no resto do tempo, só tem lucro.
De volta aos prédios de Santos (e, humildemente, me contrapondo a Kanitz, a quem conheci no Ficon e que costuma acertar seus diagnósticos e previsões), não há como duvidar de um quê de “ganância” do empresariado local diante das mudanças no comportamento do comprador.
Diz o levantamento do Secovi que, apenas entre agosto de 2011 e abril deste ano – isto é, em oito meses –, as vendas de apartamentos com um quarto em Santos ultrapassaram as dos de quatro dormitórios. O consumidor local, portanto, começa a procurar imóveis menores e menos caros.
É o que cabe no bolso. Só que, ao perceber tal mudança dos clientes e, assim, passar a erguer edifícios com menos dormitórios, o construtor não dá ponto sem nó. Faz mais apartamentos em um terreno de mesma metragem e, proporcionalmente, cobra mais pelos imóveis menores.
A tabela a seguir mostra os preços do metro quadrado apurados em Santos no mês passado. Na média, não variam muito, mas, no pico, mostram disparidade: o m² de um imóvel de quatro dormitórios sai por até R$ 10.446; de um quarto, chega a R$ 15.736.
| Fonte: Estudos do Mercado Imobiliário da Baixada Santista - Robert Michel Zarif - Secovi-SP |
Então, levando em conta esses valores, vamos calcular o que isso representa:
Numa região 'nobre', um construtor poderia fazer um apartamento de 200 m² e quatro quartos que custaria até R$ 2,089 milhões. Mas vê que o mercado quer imóveis menores. Assim, no mesmo espaço, faz quatro apartamentos de um quarto e 50 m². Cada um sairia por, no máximo, R$ 786.800,00. Se vender os quatro, ganhará R$ 3,147 milhões. Ou seja, vai faturar 50% a mais com imóveis pequenos do que se construísse um maior que ocupa o mesmo espaço dos menores.
Num prédio de 20 andares, os apartamentos de quatro dormitórios (um por pavimento) renderiam até R$ 41,7 milhões; se fossem quatro unidades por andar com um quarto, o volume geral de vendas atingiria R$ 62,9 milhões. A diferença equivale a dez imóveis de quatro quartos.
O empresariado sabe muito bem onde pisa. Tem tudo para acertar. Bom para ele. Porque, para a população santista, com salário médio aproximado de R$ 2 mil, talvez ainda restem os imóveis usados.
Podem ser um excelente negócio. Há uns seis meses, vi um apartamento reformado, de três quartos, com duas suítes, por R$ 250 mil. Na Ponta da Praia. O prédio é de 1966, mas está tudo em ótimo estado. Dividindo-se seu preço por seu tamanho, cada m² sairia por R$ 3,3 mil. Fosse um imóvel novo nessa região, pelo preço máximo apurado pelo Secovi-SP, talvez custasse até R$ 600 mil.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
A resposta
"Caro Rafael. Informo que seu projeto recebeu excelente parecer e foi aprovado".
A notícia é do coordenador da editora à qual submeti o original do livro que escrevi sobre Esmeraldo Tarquínio, ex-prefeito eleito de Santos.
Ainda falta resolver questões burocráticas, mas, graças a Deus, agora vai.
A notícia é do coordenador da editora à qual submeti o original do livro que escrevi sobre Esmeraldo Tarquínio, ex-prefeito eleito de Santos.
Ainda falta resolver questões burocráticas, mas, graças a Deus, agora vai.
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